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Construções de Búzios, que mantêm características do passado do balneário, são tema de exposição

publicada em 07/08/2017

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"Arquitetando em Búzios" fica até 20 de agosto na Escola de Artes Zanine.

Até os anos 1960, Búzios era uma paradisíaca vila de pescadores. Depois, transformou-se na cidade de veraneio badalada e com fama internacional. Mas que, até hoje, guarda em sua arquitetura os traços daquela essência do passado. Apesar das décadas de crescimento, num sobrevoo pela península ou caminhando pela orla, esse estilo próprio se destaca na paisagem: a maioria das casas tem até dois andares, muitas delas com telhados de cerâmica, à moda de antes da chegada dos turistas e da passagem de Brigitte Bardot por suas praias. Uma característica protegida por leis municipais e defendida por gerações de arquitetos locais. Agora, essa história é contada na exposição "Arquitetando em Búzios", para lembrar os precursores dessa forma de construir.

É um jeito, como contam os organizadores da mostra, preservado já pelas primeiras famílias que chegaram a esse pedaço de litoral fluminense. Elas compraram e reformaram as casas de pescadores, mas mantiveram a simplicidade das edificações, sem fazer grandes modificações nas estruturas. Algumas foram adaptadas ao estilo colonial mineiro. Mas quase todas continuaram com pé direito relativamente baixo e os telhados tradicionais, de quatro águas, com ângulos uniformes de inclinação. Tendência da qual o arquiteto Octavio Raja Gabaglia, primeiro a atuar em Búzios, acabaria se tornando um defensor tenaz. E que logo ganharia outros adeptos, passando a ser conhecida como "estilo buziano".

- Nos anos 1980, Búzios ainda era distrito de Cabo Frio. Na época, houve uma tentativa de construção de um prédio de três andares, o que virou uma polêmica. No entanto, as principais características desse estilo foram conservadas por meio de uma lei, que continuou valendo após a emancipação de Búzios (a partir de 1997) - conta o arquiteto Arthur Carlos Costa.

Basicamente, os telhados devem ser de cerâmica. E as construções precisam respeitar o limite máximo de dois pavimentos, sendo que a taxa de ocupação do segundo piso precisa ser apenas parcial (de até 50% da área do primeiro), evitando os chamados "caixotes". Com isso, ressalta Arthur, o segundo andar é sempre menor, e ladeado pelo telhado do primeiro, dando a impressão de uma saia de baiana.

Ainda na década de 1980, também foram criadas comissões de uso de solo, que contribuíram para que a cidade resguardasse suas características, num movimento contrário à verticalização que aconteceu em outros municípios da Região dos Lagos.

- Hoje, são duas Búzios. Uma próxima à orla, mais preservada. E outra na direção contrária, onde, infelizmente, vale quase tudo e a fiscalização é ineficaz - diz Arthur.

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Os arquitetos da cidade conseguiram fazer escola. O estilo foi levado para construções no Rio, em Niterói, em áreas como Angra dos Reis, na Costa Verde, e até além dos limites do estado. A mão de obra da península, de carpinteiros a arquitetos, passou a ser exportada. E, atualmente, mesmo com inovações de material e soluções para garantir a sustentabilidade dos projetos, os principais conceitos do estilo buziano ainda são o charme local.

- O que é mais legal é que, ao remeter às casas de pescadores, é mantida a simplicidade. São construções com uma escala humana. São frescas, baixas e dão aconchego - afirma o arquiteto Guido Campanate.
A exposição "Arquitetando em Búzios" fica até 20 de agosto na Escola de Artes Zanine (Estrada da Usina, s/mº), de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 16h às 18h. A entrada é gratuita.

Fonte: oglobo.oglobo.com

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